Macacos e Galhos
Sempre digo que a igualdade entre desiguais é burrice, justamente por que não há como ter a certeza que o bom sempre vencerá ou que o ruim será assim avaliado. Na nossa vida nós perdemos para os maus, assim como somos maus e prejudicamos os bons. Percebem? Em todos os momentos o mais puro dos homens ainda assim vai errar, vai distorcer, vai ludibriar, vai enganar-se e enganar a outros. Poderá também, esforçar-se menos ou até cruzar os braços para o que poderia ter feito, mas não o fez.
Julgar os outros parece uma tarefa tão mais própria do nosso crivo e de nossa titulação em leis mesmo que jamais tenha passado por nossas mãos um código sequer. Ainda assim, somos tão bons em avaliação quanto o somos no fingimento. É característica inata a tendência a crítica, ao estranhamento e a intolerância. Existem proibições que jamais entenderemos porque existem, mas num dado momento alguém assim o quis e determinou e pelo medo, pelo desconhecimento e até talvez pela por nossa inércia e decidimos que não iremos questionar e passamos a seguir bitolados por um delinear alheio. E então, em algum lampejo de consciência alguém decide mudar isso e recebe todo o peso do julgamento da turma do “é proibido”.
Anos de intolerância no período das trevas, onde ser diferente era crime, então vieram os iluministas justamente trazer “luz” e dizer que a falta de racionalidade não pela falta de entendimento e sim pela falta de coragem e resolução era o que aprisionava o homem. Porem, saber que é preciso usar a razão não indica que a nossa razão é a mais acertada. E retornamos a questão anterior onde a racionalidade tão aclamada e desejada para libertar de crendices e dogmas, agora passa a ser a vilã agindo contra a emoção.
É de minha vontade que as minhas decisões racionais (pensadas) levem em consideração o sentimento que isso trás? E se for, que pecado há nisso? Não existe lei escrita que penetre na alma e ajuíze a sua capacidade de escolha. Escolher mesmo que o caminho errado ou a atalhos é particular.
Tudo isso pra dizer um ditado bem popular: “cada macaco no seu galho”










